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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Violência em 67 cidades brasileiras supera níveis do Iraque

67 cidades do País têm mais mortes que o Iraque Segundo Mapa da Violência, cidade baiana de Simões Filho foi a campeã do ranking
BRUNO PAES MANSO

Pelo menos 67 municípios brasileiros médios e grandes, com população acima de 10 mil pessoas, registraram proporcionalmente mais homicídios entre 2008 e 2010 do que os registrados nos conflitos do Iraque.

Entre 2004 e 2007, depois da queda de Saddam Hussein, a insurgência iraquiana levou o país a registrar taxas médias de 64,9 homicídios por 100 mil habitantes, que provocaram 76.266 mortes em quatro anos e transformaram o conflito no mais violento do mundo no período.

No Brasil, a cidade baiana de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, registrou taxa de 146,4 assassinatos por 100 mil habitantes, mais de duas vezes acima da insurgência iraquiana. Um terço dessas 67 cidades tem mais de 100 mil habitantes e só uma fica em São Paulo.

Os dados são do Mapa da Violência 2012 - Os novos padrões da violência homicida no Brasil, feito pelo Instituto Sangari. "Apesar de não registrar conflitos étnicos, religiosos ou políticos, a violência homicida no Brasil é uma das maiores do mundo", afirma Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da pesquisa.

1,091 milhão de mortes. O levantamento fez um amplo balanço das três últimas décadas de homicídios no Brasil, com base nos dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Entre 1980 e 2010, o Brasil registrou 1,091 milhão de homicídios. A casa do milhão de assassinatos já havia sido ultrapassada em 2008, considerando as mortes desde de 1979, o primeiro ano da divulgação dos dados.

Nas últimas três décadas, houve mudanças importantes no perfil das cidades que lideraram o ranking de violência. Entre os sete primeiros colocados no rankings de Estados até o ano 2000, seis registraram quedas nas taxas de homicídios e despencaram posições na última década. São Paulo é o Estado com a maior queda de 2000 a 2010. Caiu 67% no período e passou da 4.ª posição para a 25.ª. O Rio, que ficava em 2.º lugar, foi para a 17.º.

No lado de baixo da tabela, a situação é oposta. Estados que no ano 2000 eram considerados tranquilos tiveram escalada de homicídios. A Bahia, onde a taxa de homicídios cresceu 303% e alcançou 37,7 homicídios por 100 mil habitantes em 2010, foi a unidade da federação com maior aumento no período. Passou da 23.ª posição para a 7.ª.

O crescimento da taxa de assassinatos no Pará foi de 252% no período e a de Alagoas alcançou 160%, o que levou o Estado subir da 11.ª colocação para a primeira posição no ranking.

Os municípios com população entre 10 e 100 mil registraram os maiores aumentos porcentuais de homicídios. As maiores quedas foram em cidades com mais de 500 mil habitantes.

 Fonte: http://www.defesanet.com.br/seguranca/noticia/3985/Violencia-em-67-cidades-supera-niveis-do-Iraque

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Polícia usa tecnologia para combater o crime

A tecnologia é cada dia mais presente no cotidiano das Polícias Civil e Militar no Brasil. A mais nova aquisição dos órgãos de segurança paulista são óculos vindos de Israel que possuem uma minicâmera acoplada. Ele filma as pessoas durante eventos e envia informações em tempo real para uma base de dados que responde com os dados criminais da pessoa identificada.
 Outros equipamentos permitem, além da identificação de criminosos, cruzar dados entre unidades policiais e interceptar ligações telefônicas feitas de aparelhos públicos. Veja em detalhes como funcionam os óculos e conheça outros recursos usados pelas polícias no combate ao crime.

Óculos da PM - A Polícia Militar de São Paulo deve incorporar ao dia-a-dia de trabalho óculos de alto poder tecnológico. Importados de Israel no começo do ano, onde auxiliam agentes no controle de fronteiras, os óculos possuem uma minicâmera acoplada, que filma o público e envia as informações em tempo real para um HD (Hard Disk) onde está gravado o banco de dados da PM. Desta forma, o equipamento identifica e avisa o policial sobre suspeitos, pessoas desaparecidas e até veículos com irregularidades. A tecnologia promete mudar a abordagem e revolucionar o trabalho da PM. Os óculos ainda estão em fase de teste no Brasil.

Alpha - Sistema criado para possibilitar a identificação de pessoas com a utilização do método de confronto de impressões digitais, colhidas em qualquer unidade policial, com aquelas arquivadas na base de dados do sistema.

Guardião - Sistema de interceptação telefônica autorizada, interligado à rede de telefonia pública, que é acessada por via digital para o Serviço Técnico de Monitoramento Legal de Telecomunicações.
 
Phoenix - Sistema para reconhecimento de criminosos, que integra os dados do RDO com bancos de dados de fotos, identidade, impressão digital, voz e outras características físicas, como as tatuagens. O sistema, que utiliza tecnologia de ponta, permite a construção de retratos falados simultaneamente ao registro do boletim de ocorrência.

Ômega - Dá suporte às investigações. Suas principais funções são agilizar o trabalho de pesquisa a partir da reunião de informações e fazer a identificação automática de relações entre pessoas, veículos, armas e endereços. Está disponível para todos os policiais civis onde há links de intranet.

Rádio Digital – Implantado em 2003, é um meio de comunicação via rádio digital que permite a intercomunicação das polícias Militar, Civil e da Superintendência da Polícia Técnico-Científica e visa realizar operações conjuntas. Toda conversa via rádio digital é criptografada e, portanto, não pode ser interceptada. Além da voz, a via digital permite o fluxo de imagens e dados. Somente em 2008, o investimento no projeto foi de R$ 21 milhões.

Sala de Situação - A Sala de Situação é um ambiente onde a Polícia Civil coordena operações integradas no Estado de São Paulo, com atualização de dados em tempo real. Todas as unidades policiais do Estado têm condições de interagir com a Sala de Situação. Em ambientes climatizados, o espaço possui equipamentos para videoconferências, computadores com links de alta velocidade e ramais Voip, que permitem a obtenção de dados como perfis de criminosos. O sistema de comunicação nacionalmente integrado aumenta a capacidade de investigação e dá sequência à obtenção de informações essenciais para o combate ao crime.

Registro Digital de Ocorrências (RDO) - Foi desenvolvido para informatizar o registro dos boletins de ocorrências (BOs) e termos circunstanciados. Via intranet, as unidades policiais padronizam suas rotinas e armazenam os boletins em um banco de dados, de modo que eles sejam consultados no Infocrim.

Infocrim - Com o Infocrim, a polícia cria roteiros para patrulhamento das áreas de maior criminalidade, despachando viaturas e designando policiais para o local das ocorrências. O Infocrim cruza dados dos boletins de ocorrência para a elaboração do mapa da criminalidade.

Viaturas mais equipadas - Algumas viaturas funcionam como uma espécie de central de inteligência e para isso estão equipadas com palmtops (veículos pequenos) ou notebooks, além de rádios digitais. Assim, no local da ocorrência o policial pode, por exemplo, pesquisar um veículo, uma arma ou uma pessoa que está sendo abordada. É possível também iniciar o registro da ocorrência, sem usar a voz, pelo sistema de radiocomunicação digital.

Lanternas forenses - São três tipos de lanterna que possibilitam o rastreamento de grandes áreas e permitem a visualização de provas impossíveis de detectar a olho nu. Esse equipamento representa um investimento de US$ 15 mil.
 
Cromatógrafo líquido de alto desempenho - Separa os componentes de uma mistura. A partir dele é possível fazer análises de entorpecentes e identificar medicamentos. Custa ao Estado cerca de R$ 1 milhão.

Tecnologia inédita - A Polícia Militar do Estado de São Paulo assinou no dia 26 de abril um protocolo de intenções com uma empresa de tecnologia para instalar a rede de transmissão de dados conhecida como 4G, tecnologia inédita na América Latina. O grande diferencial está na velocidade de comunicação e transmissão de dados entre o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e os policiais na rua.
As informações podem ser transmitidas imediatamente aos homens mais próximos de ocorrência e a comunicação pode ser feita até por meio de videoconferência. Será possível enviar vídeos, áudios e dados em geral em segundos.
As viaturas que receberem a tecnologia também poderão acessar os sistemas inteligentes da PM, como o Fotocrim e o Copom Online, diretamente do computador de bordo do veículo. Será feito um teste de 90 dias e, se aprovada, a tecnologia será implantada em todo efetivo da PM.

Fonte:ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/policia+usa+tecnologia+para+combater+o+crime/n1597095324505.html

sábado, 27 de agosto de 2011

Acharam Coco



Depois de muita procura, finalmente acharam Coco. Na manhã desta quarta-feira [24.08], o traficante Edeílson da Silva Miranda, 22 anos, que ganhou a mídia e até música após uma matéria em um programa de tv, foi apresentado na 5ª Delegacia [Periperi].

Acharam coco!
Acusado de ser o comandante do tráfico de drogas no Calabar, Coco foi preso durante uma abordagem da polícia militar a um veículo, na noite da última segunda-feira [22]. Como encontraram drogas no carro, o conduziram para a delegacia. Quando jogaram o nome dele no sistema, viram que era procurado e que estava com mandado de prisão em aberto, informou um agente da polícia civil.


Agora sim, todos já sabem onde está coco, sem precisar de gestos obscenos, como fez a moradora que apareceu na matéria que gerou todo o destaque ao traficante.

Fonte: http://www.axezeiro.com.br/noticia/polemica/13502,acharam-coco.html

terça-feira, 14 de junho de 2011

Prenderam o Mister "M"

Desaparecendo com as provas...


Fonte:http://7sev3n.blogspot.com/2011/04/prenderam-o-mister-m.html

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Baralho do Crime

Baralho do crime traz fotos de bandidos procurados do Estado

03/06/2011 - 07:00:00 - Da Redação
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh-WazklZbp7XSvEZrmU9RXQYWmVZa05xz18lG03Q7ztjKPfWuTd8QyY8n7hlgsKQCj7Y5lehHKm1FLjaNp1_RHuH3SzlqR3UG9p9XqMR99tnFx1A6gi5boNbX76qKDc2aLzaOHQnQo2FQ/s1600/baralho_.jpg

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia distribuiu à imprensa um baralho com fotos dos 50 criminosos mais procurados pela polícia.

Todos têm mandado de prisão expedido e alguns já foram julgados e condenados.

Cada carta traz de um lado o rosto do criminoso e do outro o crime do qual ele é acusado.O anúncio foi feito durante divulgação de resultados de operação que terminou com a prisão de Fagner Souza da Silva, o “Fal”, um dos criminosos mais procurados no Estado. Detido em São Paulo, ele representava o “Ás de Ouros” do baralho.

A tática baiana repete ação da gestão George W. Bush (2001-2009) no governo dos EUA. Durante a invasão do Iraque, em 2003, ele distribuiu um baralho com os integrantes mais procurados do regime de Saddam Hussein. O ex-ditador e seus filhos representavam os ases do conjunto de cartas.

Fonte: http://www.regiaonoroeste.com/portal/materias.php?id=30732&busca=&pagina=&oquelista=


quinta-feira, 17 de março de 2011

Crack ou Oxi: sinônimos da morte

Por: Archimedes Marques – 16 de março de 2011


Em recente pesquisa sobre o presente tema notei que alguns setores da imprensa brasileira identificaram o que seria uma nova droga também proveniente da cocaína: o oxi. Tal droga seria uma espécie de crack piorado, uma vez que, em sua composição química, vários outros produtos são adicionados pelos traficantes manipuladores no intuito de aumentar o lucro financeiro do seu comércio, com o barateamento do produto que assim é sempre melhor consumido pela classe mais pobre do nosso país.

É fato científico que para se fabricar o crack é usada a pasta base da cocaína que, adicionada ao bicarbonato de sódio em proporções equivalentes e manipulados com solventes, se transformam em espécie de pedra meio tenra de cor branca caramelizada. Assim, oficialmente, o crack é composto basicamente do lixo da cocaína e do bicarbonato de sódio.

Já o oxi vai mais além na sua insanidade. O seu nome de batismo deriva do verbo oxidar, vez que a borra da cocaína ao ser diluída com o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico, misturados e manipulados com a cal virgem, querosene ou gasolina, além do próprio bicarbonato de sódio em combinação com o oxigênio, realiza a transformação química, oxidando o produto também em forma de pedra, só que mais amarelo e bem mais nocivo que o crack.

Em todos os artigos que escrevi sobre o crack sempre contestei a sua fórmula química oficial que não existe em sua composição qualquer produto inflamável. Em contra senso, observa-se perfeitamente que há na pedra do crack o cheiro inconfundível de gasolina ou querosene, ademais alguns usuários me disseram que o odor e o gosto da fumaça inalada é semelhante a pneu queimado, razão pela qual, sempre falei que a cal, o querosene ou gasolina, os ácidos sulfúrico e clorídrico e o bicarbonato de sódio, além da pasta base da cocaína, fazem parte da composição química dessa droga, entretanto agora aparece o oxi como sendo o dono de tal fórmula diabólica.

Em assim sendo, fica a dúvida se os viciados brasileiros estariam consumindo o crack ou o oxi, o que, em absoluto, não faz muita diferença. Parece no meu ver, apenas uma questão de nomenclatura. Crack ou oxi se confundem e representam a degradação humana, sofrimento e dor nas suas formas mais drásticas possíveis.

Crack e oxi também podem ser uma coisa só e a fórmula que tanto descrevi e combati veementemente pode ser a exata em detrimento à fórmula oficial do crack originada dos EUA, há mais de três décadas atrás. A não ser que o crack dos norte-americanos seja diferente e menos perigoso que o nosso crack. A não ser que o nosso crack seja na verdade o oxi, um crack piorado, falsificado e abrasileirado como tantos outros produtos importados.

Na verdade, sendo crack ou oxi, o usuário, ao fumar toda essa parafernália de produtos altamente nocivos e perigosos, aspira o vapor venenoso para dentro de seus pulmões, entrando em consequência na sua corrente sanguínea. Como a droga é inalada na forma de fumaça, chega ao cérebro muito mais rápido do que a cocaína ou qualquer outra droga, causando também malefícios mais abrangentes para o usuário que sempre vicia a partir do seu primeiro experimento.

O usuário do crack ou oxi pode ter convulsão e como consequência desse fato, pode ter uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca e, enfim, a morte. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é assolador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta e traquéia, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico presente na absurda fórmula dessas drogas assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.

É fácil de concluir que os problemas deixados pelo crack ou oxi em todas as áreas sociais crescem em grandes proporções e atingem em cheio o nosso povo, deixando rastros de lama, miséria, sangue e lágrimas, em destaque, para a classe mais pobre do nosso país, mais de perto, para os jovens menos avisados que se lançam nesse profundo poço de difícil retorno.

Archimedes Marques (archimedes-marques@bol.com.br) é delegado de polícia no estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe.

Fonte: http://aqueimaroupa.com.br/?p=37430

O Policial e a Religião

Atentamente ouço o que várias pessoas dizem sobre a policia, seja na Igreja seja na universidade ou entre os amigos, sempre são visões um tanto quando diferentes, algumas até antagônicas. Começo a falar da Igreja.

A Imagem do policial para a igreja.(entre visões distorcidas da bíblia)

Quando Deus deu os mandamentos ao Moises, para que fossem disseminados, eram 10:

Não matarás, não furtarás, honrar mãe e pai....assim por diante. Para as religiões que seguem a bíblia matar é pecado, ou seja o policial não é visto de tão boa maneira, de certa forma essa profissão é encarada pelos religiosos de plantão como um "carma" passageiro que logo a pessoa sairá dessa. Mas pera ai, e as pessoas que sonham serem policiais, e os que amam o que fazem..... è realmente uma visão meio deturpada e também manipulada.

O policial não ta na corporação para matar, se isso ocorrer é para que um inocente não morra, quando Davi matou o assassino de seu filho, Deus não o jogou no inferno nem amaldiçoo sua vida e seu futuro. Na verdade hoje vivemos a cultura do "pequenas igrejas grandes negócios".

Esquece-se do que realmente é Deus ou o que Jesus representou, pregam de acordo com a arrecadação. Sobre religião não se fala ,todos me alertam, entretanto se eu não falar vamos continuar nessa hipocrisia e fingir que não vemos. Antes que me chamem de ateia eu digo: eu acredito muito em Deus, o temo e respeito, mas não acredito em 20% do que vejo ser "Deus" por ai. Ser policial é uma bela profissão, apesar dos pesares . e Biblicamente falando policiais são guerreiros...nem todos claro.

A fé deleita no coração de todos!

fonte: http://artepolicial.blogspot.com/

quarta-feira, 9 de março de 2011

Bomba no Carnaval de Salvador

Policiais militares de Salvador encontraram um artefato suspeito de ser explosivo, na madrugada desta terça-feira (8), no bairro Piedade, próximo ao circuito Campo Grande. Segundo Secretaria de Comunicação da Bahia, o Departamento de Polícia Técnica iniciou o trabalho de perícia do material por volta da 1h. O objeto foi detonado no local como medida de precaução. Seguindo o procedimento padrão, a área precisou ser isolada para que os técnicos efetuassem a detonação.

Polícia isola parte de avenida no Campo Grande para averiguar material suspeito de ser explosivo (Foto: Francisco Carlos/Agência Haack)
Segundo a polícia militar, o artefato foi deixado embaixo de um posto policial no bairro da Piedade, onde fica o circuito Campo Grande, o maior e tradicional carnaval da região.

O trecho onde estava o explosivo foi bloqueado. A Divisão Antibomba da polícia esteve no local e detonou o objeto.

De acordo com informações dos militares, ainda não tem pista de quem colocou a suposta bomba no local. Nenhuma testemunha soube apontar suspeitos.

O suposto explosivo já foi encaminhado para o Departamento de Perícias Técnicas, onde será analisado.

Fonte: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/03/policia-de-salvador-isola-area-no-campo-grande-por-suspeita-de-bomba.html
http://noticias.r7.com/cidades/noticias/ameaca-de-bomba-interrompe-carnaval-em-salvador-20110308.html

domingo, 6 de março de 2011

Polícia prende jovem que passou mais de 200 mil trotes em Sergipe


Foi preso em flagrante na noite de quarta-feira (02/03) José Uilson Santos, de 20 anos, acusado de passar mais de 200 mil trotes ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) de Sergipe.

Segundo a Polícia Militar (PM), ele foi preso após monitoramento feito pelo Ciosp, no momento em que passava trotes para a central de emergência através de um orelhão, no bairro Jabotiana. Ele ficou alguns minutos conversando com um atendente do Ciosp, repassando informações sobre supostos crimes praticados na capital.

"Como ele ligou de um orelhão, no mesmo momento, em um grande monitor, localizamos o ponto exato e pudemos enviar a patrulha", explicou o coronel Salvador Braulino Sobrinho, diretor do Ciosp.

Uilson é conhecido dos atendentes do Ciosp e já tinha até um apelido, '3014', em referência às duas últimas dezenas do número do celular dele. No total, segundo dados do Ciosp, foram mais de 200 mil ligações direcionadas apenas de um número de celular.

Uilson prestou depoimento ontem à noite na delegacia plantonista ao delegado Wellington Fernandes, em virtude da falsa comunicação de crime, considerado crime de menor potencial ofensivo. Caso ele seja reincidente, ficará detido em uma unidade policial, aguardando posicionamento da Justiça e, caso seja condenado, pode pegar de um a seis anos de detenção.

Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/policia+prende+jovem+que+passou+mais+de+200+mil+trotes+no+se/n1238131501810.html

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Bope pode voltar às origens

ENTREVISTA / Tenente-coronel Wilman René Gonçalves Alonso

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"Da tela triste tiramos ensinamentos e nos transformamos." A frase é do comandante do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (Bope), tenente coronel Wilman René Gonçalves Alonso, oficial com mais tempo na unidade - 15 anos.

Em entrevista ao Comunidade Segura, ele revela o dinamismo do Bope, das operações de combate ao tráfico à interação social com as comunidades, do resgate de reféns ao resgate de famílias ilhadas pelas enchentes na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Para o coronel René, como é conhecido, o processo de pacificação abre a possibilidade de o Bope retornar à sua origem - uma unidade para resgate de reféns. Mas antes, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 trazem uma nova ameaça: o terrorismo. “Estamos nos preparando para o pior”, afirma.

Como o senhor vê o futuro do Bope?

O Bope está sempre se modificando em função das necessidades, mas uma coisa é certa: estamos imaginando que o nosso futuro será voltar à origem. Inicialmente, o Bope foi criado como uma unidade para resgatar reféns, mas outras ameaças surgiram e tivemos que atender a essa demanda. Mas, com esse processo de pacificação caminhando, podemos imaginar que daqui a uns 20 ou 30 anos as coisas voltem a ser como antes e voltemos a ser uma unidade de resgate de reféns. Mas sempre pensamos também na pior hipótese. O crime é algo dinâmico. Poderá surgir um novo tipo de ameaça? Vão criar uma nova forma de se comportar, de agir? É um cenário ainda nebuloso, mas para o qual já estamos atentos.

Há uma preparação especial para os grandes eventos esportivos que vêm pela frente?

A Olimpíada e a Copa do Mundo estão sendo o foco da nossa preparação. Estes eventos vão exigir alguns procedimentos técnicos e tecnológicos voltados para ameaças neste cenário. Estamos atentos ao terrorismo e preparados para entrar na área dos grandes eventos. A partir do momento em que o Brasil se firmou como um forte candidato à sede, começamos a nos preparar. Estamos equipando a tropa. Temos um projeto de modernização da unidade. Fazemos treinamentos no Brasil e no exterior. Há três anos já estamos fazendo intercâmbios e nos aprimorando. O terrorismo é a grande expectativa, já que nunca aconteceu por aqui. Estamos nos preparando para o pior.

O senhor é o oficial com mais tempo no Bope – 15 anos. Quais foram os momentos mais críticos que vivenciou na unidade?

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É muito triste quando tem as perdas. É mais um policial, um cidadão que a gente perde por essa violência que se abateu pela cidade. Há também os fatos negativos, como o do ônibus 174, que marcou muito a nossa unidade. Apesar de termos uma capacidade grande de recuperação e de transformar perdas em oportunidades de crescimento, é muito chato quando temos um desfecho que não é o que a gente esperava. Outro caso marcante foi o do menino João Hélio, que foi arrastado num roubo de carro. Muitos aqui têm filhos, nos olhávamos e não conseguíamos tocar no assunto, tamanha a angústia. O policial do Bope percebe que tem que fazer alguma coisa. Então enfim veio uma ordem: vocês têm que atuar lá.

E quais foram as ações?

A PM tinha feito um cerco na região do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro e dois policiais haviam sido mortos de uma maneira bastante cruel. Naquele momento o Bope foi acionado e foi a hora que conseguimos falar “até que enfim que a gente vai mostrar que não está tudo perdido”.

No primeiro dia de operação morreu um policial do Bope, deu na capa do jornal. Percebemos algo muito perigoso e noticiamos: um marginal extremamente agressivo e cruel, a região toda compartimentada, fechada, só com algumas ruas dando passagem. Um quadro extremamente grave. Depois de 10 dias de operação ininterrupta, a população começou a passar por nós e falar, de uma forma muito tímida, “vocês não podem ir embora”, principalmente as senhoras. Só que o Bope não é uma unidade que permanece ad eternum. Alertamos que era preciso permanecer, senão o problema voltaria. A gente foi embora e o problema voltou.

A partir dali desencadeamos uma série de operações e posso afirmar que muito do que se fala de pacificação hoje tem a ver com o que aprendemos ali, assim como com a nossa experiência no Tavares Bastos (favela ao lado da sede do Bope).

E os marcos positivos?

Recentemente houve o sucesso da reconquista daquele espaço, após quatro anos sem ninguém entrar. E agora tem alguém para ficar. Temos mais marcos positivos do que negativos. Do 174 para cá, não perdemos nenhum refém ou policial. Da tela triste tiramos muitos ensinamentos e nos transformamos. Procuramos capacitar o pessoal de uma forma mais precisa, criamos um serviço específico voltado para esse tipo de atividade, investimentos foram feitos nessa área de retomada e resgate.

O que mudou na estratégia de incursão em favelas depois das UPPs?

O Bope está sempre se adaptando. O modelo UPP gerou aqui uma mudança muito grande de conceitos. Éramos uma unidade formada basicamente para o combate ao narcotráfico, hoje estamos mudando. A gente retira as ameaças, mas cuida da população também. Estamos ali para proteger e garantir as vidas. No processo de pacificação, a primeira fase é a dura, a gente vai buscar, prender, capturar, retirar armas e, com os marginais que resistem, infelizmente temos que fazer uso da força letal. Mas depois começa a fase de aproximação com a comunidade. Mostramos que precisamos deles, e isso é uma grande marca.

Há diálogo com as pessoas?

Provocamos reuniões com as comunidades locais onde há uma conversa muito franca. O comandante do Batalhão explica por que os policiais estão ali e o que vai acontecer - vamos precisar fazer revistas, entrar nas casas, parar o transporte, fazer todos descerem, entrar numa escola, numa creche, pedir a uma criança para abrir a mochila - o que é muito chato para nós, mas é necessário, visto que o tráfico faz uso deste tipo de público. O comandante pede que as pessoas participem e ajudem, porque moram ali e conhecem o local.

Tentamos buscar interação com a população e criar interação entre a comunidade através de nós. Desenvolvemos atividades comunitárias. O policial é um combatente, mas também está envolvido em atividades esportivas com crianças da favela ou em eventos religiosos. Logo depois de todas as nossas grandes operações, sempre fazemos um evento religioso nas comunidades. Congregamos toda a população, não só os evangélicos, e tentamos fazer com que todas as crianças participem. Levamos o som, os convidados, personalidades etc.

A atuação do Bope é bem aceita?

Criamos procedimentos técnicos para minimizar o impacto. Nas reuniões, anotamos as reclamações e encaminhamos a um procurador. Caso haja implicações legais, colocamos a tropa em forma e informamos que determinado tipo de ação pode gerar um questionamento legal. Quase em tempo real aparamos os problemas. Uma grande evolução são os sargentos que recebem as reclamações. Eles têm rosto e um telefone celular ligado 24 horas por dia. A pessoa liga e o sargento vai lá, a paisana, ouve a queixa e tenta explicar por que aquilo foi necessário ou orienta sobre o que fazer.

Se a pessoa está se sentindo realmente lesada, ela é convidada a ir no Bope e fazer o registro, e há um procedimento apuratório. Se preferir, ela pode fazer a denúncia numa corregedoria ou ouvidoria. Isso é falado abertamente e gera nas pessoas até um estranhamento. Mas os problemas que aconteceram nas ocupações foram, na maioria, resolvidos com uma explicação, um pedido de desculpas e um aperto de mão. Não tivemos mais queixas em ouvidoria ou delegacia.

Moradores denunciaram mortes na ocupação do Alemão e há denúncias de abuso por parte de policiais do Bope. Essas denúncias estão sendo apuradas?

A operação no Complexo do Alemão agregou outras instituições. Tivemos reclamações nesse sentido sim. Mas quando verificamos a localidade, vimos que o Bope não esteve nessa região. Um protocolo quando temos várias instituições trabalhando num espaço é demarcar as regiões, porque já conhecemos os problemas. A atuação do Bope foi na área do Morrão, e não nos locais dos questionamentos.

Por outro lado, há o problema do uso de uniformes. O Bope tem um padrão. Outras instituições, por não ter um padrão de uniforme definido, como algumas unidades da Polícia Civil, acabam adotando equipamentos muito semelhantes. Em função dos problemas, criamos um diferenciador no nosso uniforme, que é um símbolo grande no braço com a caveira, para melhor caracterizar um policial do Bope. Os problemas que estão sendo apurados pela Corregedoria não dizem respeito à nossa unidade.

Um dos diversos boatos ouvidos sobre esta ocupação é que traficantes teriam fugido dentro de uma viatura da Polícia Civil de Cabo Frio e até dentro do blindado do Bope. Essas denúncias estão sendo investigadas?

Na operação do Complexo do Alemão, nós estávamos na Vila Cruzeiro. Como um camarada iria fugir com um blindado nosso se nós não estávamos lá? Só tínhamos um blindado naquela noite e estava estacionado na Vila Cruzeiro. Havia um planejamento de entrarmos no Alemão num horário X. No horário em que isso teria acontecido, estávamos todos na Vila Cruzeiro. São declarações que estão soltas por aí não sei com que objetivo.

Há câmeras dentro dos blindados?

Não, mas há um controle de GPS, então é fácil apurar. Mas coloco a minha mão no fogo que isso não aconteceu.

O filme Tropa de Elite fortaleceu ou prejudicou a imagem do Bope?

Essa é a grande interrogação. O primeiro filme foi uma produção independente, do diretor Padilha e do Pimentel, que serviu aqui conosco e de quem gostamos muito. Não é um documentário, não traduz a realidade e as coisas que acontecem aqui. Ele procura buscar uma ligação com a realidade, mas é a visão deles, é um retrato da instituição em um determinado momento, entre 1995 e 1996.

De lá pra cá, muita coisa se modificou. O filme causou um grande espanto. De um lado, mostrava uma instituição policial extremamente desgastada, sem equipamento, com corrupção. Por outro, mostrava uma unidade extremamente vocacionada, motivada, obstinada, mas também com um grau de violência muito grande.

Talvez um leigo não entenda, mas do lado de lá há marginais extremamente agressivos. Em nenhum lugar do mundo há, numa área urbana, camarada com fuzis, granadas, que expulsam pessoas, cortam cabeça e incendeiam gente, como foi o caso do Tim Lopes e outros. O filme também mostrou um lado que ninguém havia mostrado ainda: de que maneira a sociedade se comporta com relação a isso. E aí foi um grande choque. No cenário, um aluno de faculdade, que era o consumidor, é contra a ação policial, mas também se torna vítima.

No ano do lançamento do filme, participamos pela primeira vez do desfile de 7 de setembro. Era uma prova de fogo pra nós. Fomos aplaudidos do início ao fim da avenida, literalmente. Uma grande surpresa. Foi sintomático: a população não queria mais esse quadro limite de violência e acreditava muito na gente, pelo que vimos. Isso aumentou muito nossa responsabilidade e trouxe também, obviamente, notoriedade e publicidade.

Na sua opinião, essa aprovação da sociedade se deve à percepção de o Bope ser a unidade "que mata os bandidos" ou à sua fama de séria e incorruptível?

As duas coisas. Primeiro, ninguém mais aguenta esse quadro que estamos vivendo no Rio de Janeiro, o cidadão sair de casa e não saber se vai voltar. Aí entra aquela figura do imaginário que vai tratar disso. Todo mundo tem sede de matar, e se alguém tem que matar, esse alguém tem que ser nós. Por outro lado, é a questão da corrupção também. Isso é uma marca nossa. Não permitir, não aceitar.

O que a tropa deve fazer se houver reação numa operação?

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O Bope não entra atirando. Primeiro, temos preparação técnica para não fazer isso. Segundo, temos o blindado, que é um equipamento de proteção, que nos protege dos tiros que tomamos. Existe uma coisa chamada seletividade do tiro. Somos treinados para efetuar disparos naquilo que a gente vê, que está próximo, que legalmente nós entendemos como um “alvo atirável”. Há um aspecto legal, a lei que dá o embasamento para a resposta do tiro. Além da preparação técnica, fazemos o controle de consumo de munição.

Mas, do lado de lá, há um camarada extremamente cruel, que faz uso de um fuzil, uma arma de guerra, de uma forma totalmente descompromissada. É um cenário difícil e delicado. E a resposta tem que ser dura. Operações especiais para problemas especiais. Não dá para aplicar o padrão policial tradicional, “para, baixa a arma, joga ela no chão”, com um camarada armado de fuzil, quatro carregadores e uma bolsa de granadas. Não funciona assim. Temos um pequeno número de policiais mortos em serviço, mas um grande número de policiais lesionados em serviço por estilhaçamento por fragmentos de granadas. É um cenário que nós enfrentamos.

E como é o treinamento dos policiais?

Para ser policial do Bope é preciso passar pela Academia de Oficiais ou a Escola de Praças como todos os outros. Depis de formado, o policial é convidado a fazer um curso de especialização da unidade. Para os oficiais é o curso de Operações Especiais, de três meses, que capacita o oficial a cumprir todo e qualquer tipo de operação no cenário do Rio de Janeiro.

E para os cabos e soldados há o curso de Ações Táticas, de 45 dias, que dá uma noção técnica mínima para as operações em área urbana, tanto contra o narcotráfico como de resgate de refém. Terminados esses cursos eles vêm servir na unidade, mas passam constantemente por treinamentos. Estamos sempre em evolução. Hoje fazemos intercâmbios fora do país.

Como os policiais são capacitados para a missão de entrar em comunidades? Há noções de direitos humanos?

Os direitos humanos chegaram no Brasil meio que empurrados. Difundiu-se aquela ideia de que direitos humanos são para bandido. E na verdade não são. Os maiores destinatários e defensores somos nós. Mas isso não foi explicado e conduzido de uma maneira correta por algumas instituições e segmentos da sociedade.

As primeiras instruções do Curso de Operações Especiais são sobre direitos humanos, comunicação com o público, linguagem corporal. Há protocolos da ONU sobre como tratar a população civil. Comparando as nossas ações com as de forças armadas do mundo inteiro, temos padrões de operação muito semelhantes. Não há como afastar a população civil deste processo, ela é a destinatária do nosso trabalho. É protocolar trazer palestrantes da área de direito, sociologia, psicologia. Temos uma psicóloga aqui cujo trabalho é fundamental. Semana passada tivemos uma palestra sobre gerenciamento de recursos humanos e tratamento de erro.

O que é tratamento de erro?

Quando se erra durante a execução de seu trabalho, que medidas devem ser tomadas dos pontos de vista legal, ético, técnico? Qual é o entendimento da instituição? Trabalhamos para que não se erre e para que o nível de segurança seja o maior possível. Mas existe a possibilidade de sairmos lesionados e eventualmente de errarmos, produzindo resultados indesejados. Isso está previsto na nossa atividade, não há como negar. Mas temos que trabalhar para reduzir isso a zero.

Como o senhor vê o processo de mudança do Bope? O que era antes e o que é agora?

O Bope é uma unidade extremamente dinâmica. Surgiu em 1978 em função de uma ocorrência com reféns. Na Quinta da Boa Vista havia um presídio onde houve uma rebelião, os diretores foram tomados reféns. Na época não existia na estrutura da segurança do estado uma unidade com capacidade de dar uma resposta àquela necessidade. O coronel Amêndola fez uma proposta, convenceu o secretário e veio a ser o primeiro comandante do Bope.

Os anos se passaram e começamos a ver um tráfico se aproveitando das áreas carentes, das favelas, tirando vantagem por causa do terreno, da situação geográfica, da pobreza. Os traficantes ocuparam o espaço e se armaram. Para que se faça frente a essa ameaça é preciso ter policiais treinados e habilitados numa unidade especial. E quem dentro da estrutura de segurança tem essa capacidade? O Bope. Então na década de 1980 começamos a criar procedimentos contra essa nova ameaça.

O Bope está sempre evoluindo e acompanhando a demanda de acordo com a violência. Como somos uma unidade especial, temos que estar atentos ao que está acontecendo e criar procedimentos para inibir qualquer tipo de ameaça que apareça na nossa sociedade.

Como é o relacionamento com a população da favela Tavares Bastos, onde o Bope está localizado?

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O Bope chegou na Tavares Bastos em 2000. Era uma favela perigosa e nossa primeira atitude foi de reprimir. Depois, fomos nos aproximando naturalmente da população. Aqui não tem cantina. Para tomar uma Coca-Cola tem que ir ali comprar. Converso com o dono do bar. Temos um campo de futebol, convidamos para vir jogar. Corto o cabelo num barbeiro lá.

Começamos a ter uma interação e uma empatia muito grande com a comunidade aqui. Conseguimos recursos para o financiamento de projetos. Uma criança que mora aqui pode ter uma qualidade de vida até melhor do que uma de Ipanema, onde o custo para os pais é muito grande. Eles têm inglês, balé, futebol, lutas. Fazem competições de esporte aqui e depois vão competir em outros lugares. As senhoras têm ginástica para a terceira idade com um cabo nosso. Elas vêm para a academia aos sábados fazer musculação.

O que muda no Bope na sua gestão? O senhor tem alguma forma particular de agir? Que marca quer deixar?

Uma marca muito pessoal minha é estar presente nos acontecimentos, na execução das atividades. Chego de manhã, já vou pra educação física, troco informação, é um momento até de lazer. Também dou respaldo. Quando o comandante está junto, parece que as coisas vão sair, vão melhorar, o pessoal fica empolgado. Costumo dar sempre exemplo para os meus amigos profissionais.

O Bope já tem um formato interessante, com uns planejamentos já feitos. eu sair amanhã, quem me substituir pode mudar uma coisa ou outra, mas os planejamentos seguem. Neste ano vamos dar sequência ao que foi projetado por nós no ano passado e vamos nos preparar o próximo ano – sempre com a minha marca de estar muito presente nas ações. Temos um compromisso, que é crescer cada vez mais. Já perdemos muitos colegas, muita gente lá atrás já sofreu. Temos que entregar um batalhão melhor do que recebemos.

Como foi a sua trajetória na Polícia Militar?

Cheguei na PM em 1989, fiz três anos de formação na Academia de Polícia e fui designado ao 2o Batalhão, de Botafogo, onde cumpri meu período de aspirante a primeiro tenente. Lá tive uma vivência interessante de formação em Polícia Comunitária. Tive oportunidade de implantar o policiamento comunitário da Urca e de Laranjeiras, que foram os primeiros e funcionam até hoje. Foi na época do coronel Nazareth Cerqueira como comandante-geral, que foi quem começou a trazer as informações sobre polícia comunitária, as experiências nos Estados Unidos, no Japão.

Por que ingressou no Bope?

Ao entrar na PM eu já alimentava um sonho de servir nesta unidade. Sou filho de policial civil, meu pai era ligado ao Grupo de Operações Especiais (atual Core), então já tinha essa referência familiar, convivia com o meio das operações especiais. Em 1995, fiz o curso de Operações Especiais e então vim servir no Bope. Desde então, fiz diversos cursos de especialização, no Brasil, no exterior, nas Forças Armadas.

Quem são os 'caveiras'?

São seres humanos, policiais vocacionados, são maridos, pais, filhos, pessoas. A partir do momento em que as pessoas se aproximam da gente, elas sentem isso. São pessoas que têm sentimentos. Só que a gente tem uma preparação técnica específica para determinadas ações que acabam traçando um perfil profissional que, aos olhos de um leigo, parece transformar a pessoa. Mas não, somos pessoas normais, temos sentimento, a gente chora, às vezes ficamos agoniados também. O sentimento de cumprimento do dever aqui nosso é muito forte. Isso é o grande diferencial no nosso lado profissional.

Fonte: http://www.comunidadesegura.org/pt-br/MATERIA-o-futuro-do-bope-pode-ser-voltar-a-origem
http://www2.forumseguranca.org.br/

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Polícia: a mais estressante das profissões

Archimedes Marques*

Apesar de a Polícia trabalhar mantendo a ordem pública, protegendo a sociedade, aconselhando, dirimindo conflitos, evitando o crime, investigando, fazendo a paz ou regulando as relações sociais, é considerada por boa parte da população como ineficiente, violenta, agressiva e criminosa.

Por conta desses atributos negativos, o desgaste das instituições policiais e dos seus membros é iminente e presente, aumentando ainda mais a ansiedade e a angústia de cada um para constatar o seu estresse, cansaço e desolação.

Apesar de o bom policial dar o melhor de si durante o seu labute, de sair de casa sem saber se volta a ver os seus filhos, de ser capaz de dar a própria vida para defender a sociedade contra o marginal, de trabalhar quase sempre por um salário não condizente com a importância da sua missão, é veementemente criticado pela mídia e pelo povo quando, por um deslize qualquer, deixa de exercer a sua função satisfatoriamente.

Trabalhar excessivamente lidando com o público, com os problemas brutais da sociedade, com o perigo constante, com a prevenção e repressão aos crimes diariamente e permanentemente e ainda não se ver recompensado psicologicamente e financeiramente, não pode deixar alguém, por mais forte que seja, sem se sentir cansado e estressado.

Enquanto que, para a sociedade, o crime comumente assusta e todos são condicionados a correr de uma briga, a fugir de um iminente perigo, o policial, por sua vez, deve correr em sua direção e ali estar presente para manter a paz pública.

Aliados a essa problemática da incompreensão, ingratidão, crítica negativa por parte da sociedade, ainda resta a questão da sobrecarga de trabalho alcançada por muitos policiais, que, por conta dos baixos salários que percebem, buscam alternativas na vida privada para complementar o seu ganho e melhor suprir as necessidades da sua família. Ou seja, passam eles a fazer o famoso “bico” nas suas horas de folga, horas essas que seriam dedicadas ao seu descanso, ao lazer, a um melhor convívio com seus filhos e que são perdidas nessa nova atividade, aumentando assim, consideravelmente, o seu cansaço físico e o consequente estresse emocional – isso quando não ocorre morte em confronto com os marginais.

Infelizmente, também é triste ter que constatar que muitos dos nossos policiais, por absoluta falta de opção e condição financeira, residem na periferia das grandes cidades, por vezes até nos morros ou bairros dominados pelo tráfico. Suas vidas e dos seus familiares correm por um fio e por isso vivem eles a se esconder para que ninguém saiba a sua verdadeira profissão. Quando são policiais militares andam com suas fardas escondidas em sacolas para só vesti-las nos locais de trabalho. Essa constante preocupação é também fator de grande somatório para o aumento do estresse para qualquer um que viva tal drama.

É fácil concluir que, para haver o saneamento desses problemas, necessário se faz mudanças de pensamentos e atos do povo, passando a sociedade a sentir a sua Policia à luz do valor da amizade para em boa cumplicidade apoiar as suas ações de resgate da dignidade corroída pelo poder público, através dos anos, ao invés de arrastá-la cada vez mais para o fundo do poço. Ao mesmo tempo, urge – também por vontade política – resolver de vez a situação salarial e social das polícias, principalmente com a implantação do piso nacional, assim como, pela unificação das classes, para uma Policia efetivamente única e forte, reduzindo o estresse de cada membro, melhorando assim o desempenho de todos para uma real prestação de serviços à sociedade.

*Archimedes Marques é delegado de policia. Pós-graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe.

Fonte: http://aqueimaroupa.com.br/?p=19357

Uso do Colete Balístico no Trabalho Policial



Depois de algum tempo de férias, reiniciamos a aclamada série de posts do nosso Especial Armas de Fogo, que publicamos toda terça-feira, como sabem os fiéis leitores do Abordagem Policial. Hoje vamos falar dum equipamento fundamental e indispensável para a atividade policial, e que guarda direta relação com o tema “armas de fogo”. Por quê? Ora, onde há a necessidade do uso de armas de fogo, certamente haverá a necessidade de equipamentos de proteção individual que livrem o policial de ser atingido por qualquer oponente.

É aí que entra o principal equipamento de proteção quando nos referimos a embates com uso de arma de fogo: o colete a prova de balas, ou colete balístico. Quem gosta de filmes épicos certamente já viu as armaduras dos cavaleiros medievais, que tinham àquela época a mesma intenção que os atuais coletes: defender os guerreiros dos ataques armados dos inimigos. A diferença é que na Idade Média a espada e as lanças eram os instrumentos de ataque, enquanto hoje nos referimos a revólveres, pistolas, fuzis etc.

Sofisticação nas armas, sofisticação nas armaduras. Os coletes atuais se baseiam em princípios físicos interessantes, e são feitos de materiais bem mais inusitados e diferentes do que o simples metal de outrora. É preciso dizer que existem muitos materiais utilizados na fabricação de coletes, que vão da cerâmica (não aquela dos azulejos e pisos, naturalmente) e alumínio até fibras como o Kevlar. Como é impossível estudar todos os materiais utilizados na fabricação dos inúmeros tipos de coletes existentes, vamos nos ater a dois princípios que considero básicos na função que o colete a prova de balas exerce ao entrar em contato com o projétil, aos quais vou denominar “Princípio da Bola de Futebol” e “Princípio do Carro de Fórmula 1″:

Princípio da Bola de Futebol

Por que usar fibras num colete a prova de balas? Imagine uma bola de futebol indo em direção à rede da trave. A rede, aqui, representa nossa fibra, a bola, o projétil que foi disparado. Assim que a bola (projétil) entra em contato com a rede, a energia contida no movimento da bola é transferida para a rede. Percebam que isso não é feito de maneira muito localizada, já que quase todas as linhas da rede recebem parte da energia (por isso se movimentam).

A fibra de um colete exerce essa mesma função: absorve a energia contida no projétil e dispersa para toda a sua área. Caso isso não ocorresse, o impacto localizado se efetivaria, e a lesão no indivíduo seria inevitável (mesmo sem perfuração). É esse poder de dispersão que faz um colete eficiente. Apesar de haver substancial diferença na densidade das fibras de um colete em comparação com uma rede de futebol, o princípio utilizado é o mesmo.

Princípio do Carro de Fórmula 1

A aerodinâmica de um carro de Fórmula 1 é algo fenomenal. Cada estrutura do automóvel é milimetricamente projetada para seu objetivo: atingir centenas de quilômetros por hora de velocidade. O que ocorreria se substituíssemos a chaparia de um carro de Fórmula 1 pela chaparia de um fusca, mesmo mantendo seu motor? Certamente, a velocidade alcançada seria bem menor, mesmo que ignorássemos o peso das duas chaparias. Se os projéteis das armas de fogo fossem dispostos nos cartuchos de maneira inversa ao convencional (com a parte “fina” para dentro do estojo), certamente obteríamos um efeito análogo no que se refere ao seu poder de perfuração.

Os coletes a prova de balas fazem justamente isso: deformam os projéteis para que eles se tornem “fuscas”, mesmo que seus motores (armas de fogo) sejam os melhores possíveis. Quanto mais deformado estiver o projétil, menos perfurante ele ficará, e mais fácil sua energia se dissipará na estrutura do colete.

* * *

Unindo o Princípio da Bola de Futebol com o Princípio do Carro de Fórmula 1, fica fácil entender basicamente como funcionam os coletes a prova de bala. Porém, nem tudo é tão fácil assim… Cada colete tem uma capacidade máxima de resistência à ação dos projéteis. A depender do material que o compõe e de como estão dispostos, os coletes resistirão mais ou menos às diversas munições e armas utilizadas. Para deixar isso claro, existe uma classificação do Ministério da Defesa, onde são regulamentados os coletes de acordo com a energia (em joules) que suporta:



É importante frisar que apenas militares, policiais e empresas de segurança particular podem ter autorização para adquirir coletes balísticos no Brasil – ou mesmo membros do Ministério Público e do Judiciário que justifiquem seu uso. É um debate interessante a extensão do direito a todos os cidadãos, algo que me oponho momentaneamente, pelo menos enquanto durar o poder bélico e financeiro do Tráfico de Drogas no Brasil, e a direta possibilidade do contrabando mais fácil desse material.

Aos policiais, é injustificável o não uso do colete, em qualquer ocasião do serviço. É um absurdo sem tamanho a existência de unidades policiais que não dotam seus profissionais do equipamento, justificando inclusive a recusa ao serviço por parte desses homens. Não são raras as vezes em que o colete balístico se mostrou mais importante que a própria arma de fogo. Que os policiais e os governantes nunca se esqueçam disso.

Autor: Danillo Ferreira

Fonte: http://abordagempolicial.com/2010/02/especial-armas-de-fogo-o-colete-balistico/


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Caveirão baiano


Foi apresentado durante o Seminário de Segurança em Eventos Esportivos Internacionais, nesta segunda-feira (20/12), o Veículo blindado do batalhão de Choque, denominado de VAT - Veículo de Apoio Tático. A construção do VAT que contou com a colaboração de técnicos de diversas áreas de conhecimentoo automobilístico e de segurança pública, encontra-se em fase de teste experimental, devendo futuramente ser implementado laptop, interlink e câmeras do tipo webcam no projeto.


Com o objetivo de propiciar maior segurança em possíveis intervenções da Companhia de Operações Especiais do BPCHQ, durante o atendimento de ocorrências de alta complexidade, o veículo tático conta com sistema de blindagem da carroceria e pneus, tendo inclusive um pára-brisa retrátil de aço, capaz de suportar disparos de armas de alto poder de impacto. Ele é capaz de transportar até 11 (onze) policiais militares, dispondo de várias portinholas para disparo (seteiras), bem como portas de desembarques laterais e de uma torre de apoio, onde o atirador se coloca de pé, atrás do motorista.

O veículo que foi doado ao BPCHQ, por uma empresa de segurança privada, vai compor a frota da polícia baiana. O Secretário Ney Campello - SECOPA, e o Coronel da reserva Müller - representante da Nordeste, também falaram sobre a utilidade e o ganho que a PM terá com a disponibilidade desta nova ferramenta na Segurança Pública, que é o VAT.

“O protótipo do Veículo Tático Operacional deve ser uma ferramenta disposta pela PMBA na garantia da defesa dos cidadãos e dos nossos agentes públicos de segurança, utilizada excepcionalmente, sob rigorosos princípios técnicos e respeito às leis e a cidadania, em restrito atendimento a manutenção do estado de direito da sociedade baiana e brasileira”, afirmou o Tenente Coronel PM Couto, Comandante do Batalhão de Polícia de Choque.

No ambiente da caserna, o VAT já vem sendo chamado de Miseravão.


Fonte:http://www.pm.ba.gov.br/choque/acs/materias/materia_blindado/apresentacao_blindado.html

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Análise crítica do filme Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2: uma falha chamada Segurança Pública

tropadeelite2 3 Tropa de Elite 2: uma falha chamada segurança pública

Existem inúmeras resenhas já publicadas sobre “Tropa de Elite 2: O Inimigo agora é outro “ cujo foco é tão somente uma análise deste filme a partir da sua própria linguagem, isto é, cinematográfica. Este não é o propósito deste artigo. Acredito que ainda mais do que o primeiro filme, a continuação deste blockbuster nacional tem como foco o debate político e por isso ele deve ser refletido juntamente com as ”polêmicas” que levanta.

Quando o autor de Elite da Tropa 2, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, publicou o seu livro (no qual o roteiro do novo filme se baseia) ele certamente alargou a discussão sobre as Milícias e sua atividade na cidade do Rio de Janeiro. O filme, que segue com bastante precisão as palavras de Luiz Eduardo, tem o seu início nos dias de hoje, o que apresenta um problema para o espectador de alguma memória. Afinal, as situações narradas na película em sua maioria, datam dos anos de 2007 e 2008. Nada que estrague este grande feito do diretor José Padilha, mas dado que não houve problemas de se estabelecer datas claras no primeiro filme, ficamos sem entender o porquê desta omissão das datas oficiais na continuação.

Na tentativa de organizar um pouco os acontecimentos do filme com o que foi noticiado pela imprensa na época (fique atento aos links deste artigo, todos eles são notícias de época sobre os acontecimentos debatidos), falaremos aqui dos principais pontos levantados por Tropa de Elite 2 e seus correspondentes “reais”, dando um foco para a discussão que estes acontecimentos podem gerar. Desta forma, é importante avisar que, por mais que este artigo não cite o desenrolar de tramas pessoais e de toda ficção que aparece nas telas, vários eventos descritos aqui serão cruciais a trama por ele apresentada, portanto para o leitor de pouca memória (já que tudo o que falarei aqui foi fruto de intenso debate político nos últimos anos) ou que deseja ser surpreendido é melhor esperar até que se assista ao filme para retomar este artigo.

beira mar Tropa de Elite 2: uma falha chamada segurança pública

Beira Mar no dia seguinte da rebelião

Em Tropa de Elite 2, logo no início do filme somos levados para um evento que ocorreu no dia 11 de Setembro de 2002, isto é, a rebelião de Bangu 1, quando Fernandinho Beira-Mar e os membros de sua facção, o Comando Vermelho, fizeram 8 reféns e tomaram uma parte do presídio. O objetivo? A execução de , assim como de todos os líderes do Terceiro Comando, a facção rival. Na época, a governadora em poder, Benedita da Silva (relegada ao cargo depois que Anthony Garotinho resolveu tentar ser presidente) teria pedido a invasão do presídio, mas felizmente a polícia conseguiu negociar e evitar um novo Carandiru.

No filme, as coisas acontecem de forma um pouco diferente e que não vem exatamente ao caso aqui. O que importa dizer é que o fracasso da segurança pública carioca já havia sido percebido algumas dezenas de anos antes da rebelião de Bangu 1, que se tornou particularmente mais sucateada durante a terrível administração da família Garotinho, o que não impediu que sua esposa, Rosinha fosse eleita governadora poucos meses depois mesmo sem possuir qualquer tipo de experiência política.

Aqui faço um parêntese: Anthony Garotinho tinha um plano de segurança que parecia coerente quando ele assumiu o Governo do Estado, mas durante oito anos de seu mandato sem nenhuma queda evidente de índices de criminalidade é bastante claro que seu plano pode ser considerado um fracasso.

Voltando a questão baseada no filme, o que efetivamente a rebelião de Fernandinho Beira-Mar mudou no cenário da segurança pública do Rio?

Aparentemente não muito, por mais que a rebelião de Beira Mar, e a percepção nacional de que o tráfico era regularmente controlado a partir das prisões tivesse atingido a grande mídia, este fato não pareceu impactar muito a opinião pública. A bolha estourou sob o Governo provisório de Benedita da Silva, ainda que esta não possa ser inteiramente responsabilizada por ela, já que ficou menos de nove meses no cargo e o problema estourou bem no meio deste período. Importante dizer, Benedita não pareceu competente para lidar com o problema. Se os relatos sobre o dia são verdadeiros, ela teria se desesperado e ligado para o seu padrinho José Dirceu, presidente do Partido dos Trabalhadores, procurando instruções sobre o que fazer.

Benedita nega que tenha mandado o BOPE e as demais forças policiais invadirem o presídio, ainda que isto tenha sido reportado por algumas testemunhas. A verdade nesta questão se encontra para sempre perdida, já que nenhum dos lados tem provas contundentes sobre que ação a governadora teria tomado. O importante é que a negociação foi realizada e o massacre de presos foi evitado. Para mérito da Benedita, ela foi responsável por colocar o competente Zaqueu Texeira como Chefe da Polícia Civil, alguém que mais tarde, junto com Tarso Genro, Ministro de Lula, desenvolveria um eficiente projeto de segurança pública, o PRONASCI, de onde saiu a ordem para realizar as primeiras UPPs, que são apenas uma parte pequena deste programa, que em teoria deveria unir segurança com cidadania.

É importante mencionar, Rodrigo Pimentel, co-autor do primeiro livro e tido por muitos como a principal inspiração do Capitão Nascimento (interpretado magistralmente por Wagner Moura) já havia deixado o BOPE nesse período, ou seja, ele não tem nenhuma ligação direta com a rebelião de Bangu 1.

No mês seguinte, o principal responsável pelo sucateamento do estado fluminense durante este período, o radialista Garotinho, falhava em alcançar a presidência (amargando um distante terceiro lugar, depois de Lula ser eleito com a maior quantidade de votos em uma eleição brasileira) mas se provou capaz de manter o poder sobre o estado, através da candidatura de sua esposa, Rosinha Garotinho.

alvarolins Tropa de Elite 2: uma falha chamada segurança pública

O ex-chefe da Polícia Civil e deputado, Álvaro Lins.

O ex-governador seria nomeado como secretário de segurança do Rio de Janeiro, uma piada de mau gosto para o estado, já que seu governo não obteve nenhum destaque na segurança pública. Não demorou muito para Garotinho levar a chefia da polícia civil o bandido Álvaro Lins, no filme representado de forma bastante livre pela figura do secretário de segurança e depois deputado Guaracy (que não é o chefe da polícia civil em Tropa de Elite 2), cuja a eleição foi financiada por criminosos (vale dizer existem paralelos sobre este problema no longa) e marcada pelo abuso de poder. Rocha, o PM corrupto que lidera as milícias também tem muitas características comuns com Álvaro Lins. No ano de 2008, já eleito como deputado estadual, a polícia federal foi capaz de prender Álvaro Lins em flagrante, que teve seu mandato caçado pela ALERJ. Um dos resultados desta investigação teria apontado Antony Garotinho como facilitador das operações da quadrilha, o que seria o início de sua decadência política no Rio. Do ano 2008 para cá, dezenas de processos criminais diferentes acabaram por atingir Garotinho e sua esposa Rosinha, entre eles coisas como: corrupção, formação de quadrilha, abuso de poder econômico, uso indevido de meios de comunicação e etc, processos estes que renderam os dois como inelegíveis em 2010. Mesmo sem poder concorrer ao Governo do Estado, Garotinho se elegeu candidato a deputado pelo PR e foi o segundo candidato mais votado no Brasil, perdendo apenas para o Tiririca, também do PR.

O filme obviamente não é tão direto em suas acusações, mas é fácil perceber as relações entre os personagens fictícios e suas contra-partes que os inspiraram. Terminada esta saga e breve passagem que foi Bangu 1, temos o assunto principal do longa metragem: as milícias.

Para aqueles que desconhecem, as milícias são grupos paramilitares, geralmente organizadas por policiais ativos e inativos, bombeiros, agentes penitenciários e até traficantes de drogas. Elas costumam cobrar uma mensalidade dos moradores das comunidades onde atuam para fornecer uma suposta segurança além de uma série de outros serviços. As milícias são verdadeiras máfias e são mais organizadas que o tráfico de varejo, que não tem capacidade de articulação. A milícia se infiltra na política e no poder público e os usa para seu próprio benefício, a revelia daqueles que moram nas áreas de sua atuação.

O novo filme do Capitão Nascimento mostra as milícias e a política de segurança pública como os principais adversários a um Rio de Janeiro mais seguro. Ele mostra também a luta de duas pessoas de pontos de vista quase opostos contra este mesmo problema. Uma destas pessoas é bem real, no caso, o deputado Fraga (Irandhir Santos) no filme, ou Marcelo Freitas no livro, claramente inspirado em Marcelo Freixo, deputado estadual do PSOL (re-eleito em 2010) que foi o responsável por trazer à luz os problemas das milícias, e por liderar a CPI das Milícias onde cerca de 226 políticos foram acusados de manter relações com estas organizações.

Em 2006, este fenômeno potencialmente desestabilizador cresceu assustadoramente no Rio de Janeiro. As milícias existem na cidade desde os anos 70, controlando algumas das favelas. Porém, num período de seis meses, esses grupos começaram a competir pelas áreas controladas pelas facções do tráfico. Em dezembro de 2006, segundo relatos, as milícias controlavam 92 das mais de 500 favelas da cidade.

mapa milicias Rio Tropa de Elite 2: uma falha chamada segurança pública

Mapa das Milícias no Rio de janeiro

Os primeiros relatórios sobre essa expansão recente e repentina descreviam as milícias como uma forma de segurança alternativa, que oferecia às comunidades a oportunidade de se livrar da dominação das facções do tráfico, garantindo sua segurança. No início, algumas pessoas das comunidades, comentaristas dos meios de comunicação, políticos e até o prefeito da cidade, Cesar Maia do DEM, deram seu apoio aos grupos de milícias. Mas não tardou para que emergissem histórias nas comunidades que contradiziam essa imagem. As milícias tomavam conta dos lugares com violência e depois sustentavam sua presença através da exigência de pagamentos semanais dos moradores para manter a segurança. Eles relataram que as milícias, como as facções do tráfico, impunham toques de recolher e regras rígidas nas comunidades, sob pena de castigos violentos em caso de descumprimento. As milícias controlavam o fornecimento de muitos serviços aos moradores, incluindo a venda de gás, eletricidade e outros sistemas de transporte privado.

nadinho Tropa de Elite 2: uma falha chamada segurança pública

Nadinho irritado durante a CPI.

Vale mencionar, até mesmo os menores acontecimentos do filme possuem uma base real, como o assalto realizado em uma delegacia de Seropédica pelos milicianos. Onde estes adquiriram armas para sustentar o poder paralelo.

O despertar lento que a política pública teve para o fenômeno das milícias até hoje parece resultar em um grande atraso para que estes grupos sejam devidamente detidos. Por mais que o crime organizado esteja sendo expurgado de diversas favelas da zona sul do Rio, as milícias continuam controlando a zona oeste sem maiores problemas.

Talvez o único avanço nesta questão tenha sido mesmo realizado por Freixo (PSOL) e seus aliados, como o relator da CPI Gilberto Palmares (PT), ao conseguir reunir provas suficientes para caçar os mandatos e impugnar os políticos envolvidos com a Milícia.

O mais notório nesta CPI foi perceber que um dos primeiros nomes a transparecer no documento foi o de Álvaro Lins, o mesmo que foi transformado em Chefe da Polícia Civil pelo Garotinho e que a partir de seu poder coercitivo, foi eleito deputado pelo PMDB (na época o partido de Garotinho). Na verdade, o governo de Rosinha Garotinho transpareceu ter uma base forte e sólida de apoiadores das Milícias, ainda que não existam evidências concretas que ligariam a governadora a estes grupos de forma tão direta quanto aquela retratada no filme. De toda forma, é importante ressaltar que havia sim uma cúpula importante envolta do governo do estado que era patrocinado por ações milicianas. Além do Chefe de Polícia de Garotinho, outros envolvidos notórios eram: o deputado Natalino Guimarães (DEM); o irmão dele, o vereador Jerônimo Guimarães (DEM) e o deputado Nadinho da Favela Rio das Pedras (DEM). Também foram citados na denúncia os vereadores eleitos em 2008 Carminha Guimarães (PT do B) e Cristiano Girão (PPS), da favela Gardênia Azul. Uma parcela considerável dos políticos denunciados já está presa. Vale mencionar também que Fortunato (interepretado por André Mattos) é um personagem que parece fazer alusão a duas figuras distintas: primeiramente ao deputado Nadinho, e em segunda instância ao Wagner Montes (que não tem uma relação confirmada com os milicianos).

E o Rio de Janeiro hoje, passados dois anos dos eventos retratados ao final do filme?

Poucas coisas são mais comentadas do que as UPPs, que de fato tem funcionado bem e até mesmo passaram a ser vistas como um modelo para o plano nacional de segurança pública. Acredito que existam alguns problemas com este modelo adotado no Rio, como a legitimização de comunidades que se encontram em áreas de risco ou de proteção ambiental, de toda maneira, o debate sobre a validade das UPPs e mesmo se elas são passíveis de serem aplicadas em outras regiões do país não cabem neste pequeno artigo.

CPI das Milícias Anistia Internacional Tropa de Elite 2: uma falha chamada segurança pública

A CPI das Milícias é entregue a Anistia Internacional

O péssimo sistema carcerário continua funcionando, e nas palavras do Deputado Fraga: “O Estado gasta uma miséria com escola. Para manter uma criança no colégio, depende oito vezes menos que para manter um preso. O sistema carcerário, além de caro, é inoperante. Pior: opera em sentido contrário. Quem rouba um celular sai dele formado em crimes piores. E a população carcerária não para de crescer – dobra a cada oito anos, enquanto a população brasileira dobra a cada meio século.” Acredito que este pequeno trecho pronunciado pelo personagem do filme é um bom resumo de nossa ainda atual situação neste quesito.

Já as milícias se parecem quase imunes ao plano de pacificação do estado, tendo em vista que estas continuam intocáveis na zona oeste da cidade. Vale dizer, os responsáveis pela CPI das milícias até hoje são impossibilitados de fazer campanha nesta região do Rio e continuam a ser alvo de ameaças deste grupo.

Tropa de Elite 2 é verdadeiramente uma evolução clara do primeiro filme, tanto em termos cinematográficos quanto em termos de discussão política. Se o primeiro foi acusado de ser uma visão da direita (segundo o diretor, o filme foi mal compreendido), é possível que este seja cunhado como uma visão mais afinada para a esquerda, até mesmo por ter um candidato do PSOL como um dos personagens principais do filme.

Não acredito que um Tropa de Elite 3 seja produzido, pelo menos não parece haver uma necessidade direta com o término deste segundo filme, no entanto, se mais uma seqüência vier, podemos ter certeza que será ainda melhor se mantiver a mesma forma.

Fonte:http://www.ambrosia.com.br/2010/10/14/tropa-de-elite-2-uma-falha-chamada-seguranca-publica/